O episódio #006 do Relikia Podcast recebeu uma figura conhecida das antigas e respeitada dentro da cultura funk: MC Ronaldo. Em um papo conduzido por DJ Vick, o artista abriu o coração sobre carreira, desafios, hits marcantes e as transformações do cenário musical ao longo dos anos.
Entre memórias nostálgicas, reflexões sinceras e histórias de bastidores, o episódio virou praticamente um documento vivo sobre uma geração do funk que ajudou a construir a cena muito antes da explosão das redes sociais.
O início da caminhada e os sucessos que marcaram época
Durante a conversa, MC Ronaldo relembrou o impacto de músicas que atravessaram gerações e continuam vivas nos bailes até hoje. Um dos maiores destaques foi o clássico “Bota Nela”, apontado pelo próprio artista como um divisor de águas em sua trajetória.
Segundo ele, a música abriu portas importantes e ajudou seu nome a circular em diferentes estados e até fora do país. Outro sucesso lembrado no bate-papo foi “Tem que Saber Ser Malandra”, faixa que também teve forte identificação com o público das comunidades.
O MC comentou ainda sobre como era feita a divulgação das músicas em uma época totalmente diferente da atual. Antes do streaming dominar tudo, o trabalho era praticamente artesanal: pendrives circulavam entre DJs, equipes de som e produtores, fortalecendo o alcance das faixas diretamente nos bailes.
E tem um detalhe que muita gente mais nova talvez nem imagine: naquela época, o baile era praticamente o algoritmo do funk. Se a música estourasse na pista, ela ganhava vida própria.
Bastidores do funk: realidade, desafios e persistência
O episódio também mergulhou nos bastidores menos glamourosos da carreira artística. MC Ronaldo falou sobre as dificuldades enfrentadas ao longo da caminhada e como o funk exigia persistência muito antes da internet facilitar a divulgação.
Um dos pontos mais interessantes foi o relato sobre apresentações internacionais em países como Paraguai e Bolívia. Mesmo com limitações de estrutura, logística complicada e diferenças culturais, suas músicas encontraram público fora do Brasil e criaram conexões inesperadas.
O artista também refletiu sobre as mudanças no mercado musical, especialmente em relação aos direitos autorais e à profissionalização do setor. Ele destacou como antigamente tudo era resolvido no contato direto — indo pessoalmente até rádios, produtores e maestros — enquanto hoje praticamente toda a dinâmica acontece no ambiente digital.
Humildade como marca pessoal
Em um dos momentos mais sinceros da entrevista, MC Ronaldo falou sobre manter os pés no chão mesmo após viver momentos de grande reconhecimento.
Com uma postura tranquila e reflexiva, o artista reforçou que sempre procurou seguir sua caminhada baseado na fé e na humildade, resumindo sua visão de vida na expressão “eu e Deus”.
Esse talvez tenha sido um dos trechos mais humanos do episódio, porque mostra um lado que muitas vezes não aparece quando falamos de artistas do funk: a pressão emocional, os altos e baixos e a necessidade constante de equilíbrio mental.
Saúde mental e a pressão das redes sociais
Outro assunto forte abordado no podcast foi a saúde mental na era da internet.
MC Ronaldo comentou sobre a cobrança constante das redes sociais e como muitos artistas acabam pressionados a demonstrar força, sucesso e relevância o tempo inteiro. Segundo ele, existe um desgaste enorme em tentar sustentar a imagem de “o brabo da internet” 24 horas por dia.
A fala repercute muito dentro da realidade atual do funk, onde números, engajamento e exposição passaram a influenciar diretamente a percepção do público sobre o artista.
A importância histórica do Relikia Podcast
Durante o episódio, DJ Vick reforçou o propósito do Relikia Podcast: registrar histórias importantes da cultura funk e dar visibilidade a artistas que possuem grande legado, mesmo quando sua imagem não é imediatamente reconhecida pelas novas gerações.
O projeto vem se consolidando justamente por abrir espaço para conversas profundas, nostálgicas e verdadeiras — algo raro em tempos de entrevistas rápidas e cortes de poucos segundos.
Ao final do programa, ficou confirmado o interesse em trazer MC Ronaldo novamente para episódios futuros, fortalecendo ainda mais a parceria construída durante a gravação.
O funk também é memória
Mais do que uma simples entrevista, o episódio #006 do Relikia Podcast funciona como um resgate histórico de uma fase importante do funk carioca. Entre relatos de superação, histórias de baile e reflexões sobre o presente, MC Ronaldo mostrou que o legado do funk vai muito além dos números da internet.
E talvez essa seja a maior força do movimento: a capacidade de atravessar gerações, permanecer vivo na memória das comunidades e continuar inspirando novos artistas.
Porque no fim das contas, antes dos streams, dos reels e dos algoritmos… existia a pista. E quem fazia a pista cantar, virava história.
